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Relação entre pessoas e processos

26/08/2011

O mercado de desenvolvimento de software vêm passando por uma transformação (lenta?) que abordei em um seminário com o título “Das Fábricas aos Times Auto-organizados e Multidisciplinas” (slides aqui).

A mudança ocorre na cultura já desgastada de enxergar o processo de desenvolvimento de software como um processo FABRIL, aplicando modelos de gestão e processo inspirados nas experiências do setor industrial. Cada vez mais a cultura de enxergar o processo de software como uma atividade CRIATIVA vem ganhado força não só em nichos ou pequenas empresas, mas também em grandes corporações.

Um dos pontos importantes na mudança cultural diz respeito aos processos. Empresas tendem a considerar seus processos (desenhados após longos anos de tentativa e erro) como um grande ativo organizacional, e uma mudança de cultura leva a significativas mudanças (ou mesmo descarte) no processo atualmente estabelecido.

Principalmente em software, os métodos ágeis (tais como FDD, Scrum, XP, Lean) promovem uma revisão geral e eliminação de atividades que não agreguem valor aos clientes. Podar um processo pode ser uma experiência muito difícil para certas pessoas que vêem nele o resultado de anos de trabalho [1].

Percebendo esse desafio na mudança cultural, 10 anos atrás os signatários do Manifesto Ágil defendiam a valorização de:

Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

É importante não ler “mais que” e entender “ao invés de”, pois isso não é saudável. Mesmo atividades criativas precisam de processos mínimos para que as equipes não se desintegrem. Mesmo times auto-organizados precisam de regras.

Em um post, Manoel Pimentel faz um ótimo ensaio sobre o que chamou de “protocooperação entre pessoas e processos”, e utiliza-se de uma perspectiva (ótica) interessante para refletir sobre a relação entre pessoas e processos.

Suas reflexões posicionam muito bem o papel de Pessoas e Processos. Apesar de não haver uma dependência, existe um benefício mútuo caso o processo favoreça a excelência e felicidade das pessoas. Tanto é ruim termos processos que não beneficiem pessoas, como não é desejável pessoas que não se aproveitem do potencial de um bom processo.

[1] Sobre mudança cultural, recomendo esse vídeo: Padrões Para Introduzir Novas Ideias

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